DAS RUAS

UMA VIDA VIRA LATA

"VIRA LATA" : Cão de rua. Substantivo masculino. Adjetivo derivado de “sem raça”; apelido dado à cachorros que viram o lixo para se alimentar; Cachorro sem raça pré definida, mistura. Cães que não são de raça são por sua vez “vira latas”.


Introdução

À estes que vagam pelas sombras do mundo, solitários, caminhando sempre para lugar algum, dedico o meu trabalho, meu amor e minha admiração; admiração pela força de sobrevivência, pela versatilidade e como não poderia deixar de citar: pelo carinho sempre presente no olhar de cada um deles.

À todos os grupos destes invisíveis; brancos, pretos, branco e pretos, malhados, listrados, peludos, carecas, grandes, pequenos, safados, malvados e carentes em sua grande maioria, fica em meu coração a dor de não poder tê-los todos para mim. Mas diferente do mundo, o coração tem lugar de sobra para cada um deles, minha memória mais ainda e sempre que eu tiver oportunidade e uma câmera na mão, faço questão de imortalizar estes anônimos que passam despercebidos todos os dias aos milhares e que, apesar de não serem puro sangues, têm a mesma felicidade estampada nos olhos e um rabo sempre disposto a abanar.

À todos estes que, além de belíssimos vira-latas, são “Das Ruas”, fica aqui meu carinho e mesmo que poucos os percebam, tentarei manter o meu olhar sempre fixo em todos eles.


"ABANDONO" : s.m. Ação de deixar uma coisa, uma pessoa, uma função, um lugar: abandono da família; abandono do posto; abandono do lar. Esquecimento, renúncia: abandono de si mesmo.


Início de Tudo

Acho que quando se trata de ver cachorros na rua, sozinhos, pequenos diante desta parafernália imensa que necessitamos para viver, muitos, quando criança, pensaram um dia em ter uma fazenda imensa e sair catando cada vira-lata perdido e cuidar de todos eles, dar casa, comida e acima de tudo muito amor.

Um dia também sonhei em ter todos para mim, mas com o tempo perdemos a inocência, a vida nos trás a dura e cruel realidade e passamos a relativizar tudo, inclusive nossos sonhos. Mesmo sabendo que não poderia ter todos os vira-latas do mundo debaixo do meu teto, senti que nunca consegui deixar de notá-los, por onde eu andava eu sempre me pegava admirado por um deles.

Mais tarde, meu pai fez nascer em mim o amor pela fotografia, me fez reparar mais nos detalhes da vida, me tornei um profundo admirador deste “congelador de segundos”, pois é essa a magia que uma câmera faz: tornar eterno, um milésimo de segundo.

E um certo dia, bati palmas diante de uma casa no meio do mato, que parecia abandonada e quando perdi as esperanças de que fosse aparecer alguém, um pequeno filhote de vira-lata surgiu de dentro da casa, todo descabelado e eu com câmera em mãos me abaixei e tirei uma foto daquele charmoso cãozinho. Ele foi o primeiro. E daí em diante, por onde andei trouxe um deles “congelado” dentro da minha câmera.



O Projeto

O projeto visou fotografar estes vira latas, que lutam todos os dias por suas vidas e mostrar que este mundo perdido em que eles vivem está repleto de cães maravilhosos, de cães que, independentemente da situação, continuam felizes e sempre dispostos a defender o título de “O melhor amigo do homem”.

As imagens, mais de 450 diferentes vira latas, em muitos lugares da América do Sul, não retratam apenas os cães em seus cotidianos muitas vezes hostis e caóticos, mas retrata acima de tudo a imagem do abando, de como o homem muitas vezes é cruel, até com quem nunca seria com ele.

O projeto pretende se filiar à uma ONG ainda não definida e dividir parte dos lucros da venda de um livro composto por 250 destas imagens, em prol da melhoria nos cuidados e reabilitação de cães em poder destas instituições que lutam todos os dias para dar um lar à estes abandonados.

Não descarto o interesse em me filiar a uma grande marca de produtos caninos para que a união de todos resulte numa campanha reconhecida e admirada pela sociedade protetora dos animais a UIPA e mais ambiciosamente, pelo mundo.

Ainda pensando em ajudar estas instituições, nada impede do projeto virar um exposição com as melhores fotos, também direcionando o lucro com a venda das fotos para a ONG em questão.


O Formato

O livro será vertical, composto de 180 páginas no tamanho 28 X 20 centímetros e será revestido de capa dura (primeira e quarta capa), lombada quadrada e folhas costuradas.

Serão um total de duzentas fotos, coloridas e em preto e branco, impressas em papel couché 150 g/m2. A capa dura será revestida de tecido apenas com o nome do livro na primeira capa e na lombada e uma sobre capa em papel couché 200g/m2, já com arte de capa revestirá o livro contendo a sinopse em suas devidas orelhas.

O livro terá também como parte de seu conteúdo, 12 histórias contadas pelo fotógrafo sobre acontecimentos e fatos que marcaram o processo de captação de imagens.

As fotos serão editadas pela Marina Prado, experiente curadora de fotografia de arte, que fará parte deste projeto contribuindo com a melhor seleção do conjunto de 450 fotos que compõem o trabalho todo.


A Linguagem Fotográfica

Gostaria de manter o formato como foi feita a foto do primeiro cãozinho, aquele todo descabelado, uma coisa quase três por quatro, ou que mostre um pouco da forma do corpo, mesmo que fora de foco.

Tenho uma queda por pega-los deitados, não porque talvez seja mais fácil, mas gosto do formato do corpo deles quando estão deitados e também porque sempre que pego o cão ali, quase dormindo ou simplesmente descansando, eles passam uma sensação de que estão em paz, mesmo que abandonados na rua.

A verdade é que cada um deles é visualizado de um jeito, cada um com sua mini-história pra contar: os sozinhos, os bandos, os acompanhantes de catadores de papelão, os que vivem embaixo da ponte… Uma coisa é certa: vi que são fiéis em todos os tipos de agonia.

O fundo desfocado é uma característica na fotografia que me agrada muito e muitas vezes também não tenho como escapar dele, pois várias fotos foram feitas de longe, normalmente 200 e até 300 mm, onde a profundidade de campo fica realmente bem reduzida, dando mais valor ao vira lata do que ao fundo e ao seu redor.

Porém, em certas ocasiões, mostro o que há em volta (mesmo que meus olhos estejam focados no cão). Às vezes, a situação em que ele se encontra é tão singular, que mesmo que eu ignorasse a poesia por trás da calamidade, não teria como não registra-la.


Projeto para IPad

O livro terá uma versão para IPad desenvolvida pelo designer Fernando Carreira, um dos grandes percursores na corrida de digitalização de periódicos.

Ainda em fase de estudo, a versão do livro digital poderá conter mais fotos do que a versão impressa, para que o público fique curioso para saber o que mais teria além das fotos contidas no livro.

Devido aos incríveis recursos que o IPad oferece, o livro digital será mais dinâmico, já que toda diagramação tem que ser feita tanto na horizontal, quanto na vertical, o que chega a dar um movimento extra às imagens. E também o recurso de zoom que permitirá ver detalhes isolados de cada foto fazendo assim, com que o leitor possa passar mais tempo namorando cada foto individualmente.

A versão para IPad será vendida via app por um valor mais acessível e com certeza será o primeiro livro digital abordando este tema.


Santiago - Chile

Gonçalves - Minas gerais

Itatiaia - Rio de Janeiro


A Curadoria

A mais recente convidada Marina Prado fará a edição do material e curadoria da exposição.

Marina Prado formou-se em Comunicação na FAAP. Trabalhou em agencias de publicidade como DPZ e W/Brasil como coordenadora dos Estúdios de fotografia das mesmas.

Em 1995 criou a MP Agencia de Fotografia , pioneira no agenciamento de fotógrafos e produção executiva no Brasil.

Hoje é responsável pela criação e produção de Catálogos, Filmes para TV e Materiais PDV de um grande Magazine Brasileiro.

Em 2010 criou a COMPOTA Edições Limitadas, um selo de fotografia.Com uma proposta inédita no país.

A COMPOTA quer abrir espaço para a fotografia autoral. Apresenta através de edições limitadas trabalhos de fotógrafos brasileiros e  investe na criação de produtos que tenham a fotografia como base e os artistas como parceiros.

Consultoria e execução de montagens de obras de fotografia

Projetos personalizados para Decoradores, Design de Interiores e Corporações.

Edição de imagem customizada para colecionadores e empresas.


Direção de Arte e Montagem

A diagramação e direção de montagem ficou por conta de Fernanda Segabinassi. Jornalista e fotógrafa por formação, flertou com o cinema antes de me apaixonar pelo design. A partir da descoberta dessa vocação, colaborei com diversos veículos e empresas, como Folha de S. Paulo, Senac, Vale; desenvolvi projetos de livros para as editoras Landscape e Planeta; especiais para as revistas Super Interessante e Casa Claudia (com os livros Design Brasil I e II – editora Abril). Também participei como designer nas revistas Itaú Personnalité e Audi Magazine (editora Trip), Menu, IstoÉ Gente e IstoÉ Platinum (editora 3). Atualmente, sou chefe de arte das revistas Gula e Viver Bem (editora Preta), com foco em gastronomia e estilo de vida.


A equipe digital

Formado em Comunicação Social pela ESPM, Fernando Carreira possui 18 anos de carreira atuando como diretor de arte e criação em grandes agências de propaganda, tais como Leo Burnett, Publicis, Africa, Fischer e Talent, além da Editora Abril.

Nos últimos 4 anos vem se especializando no mercado digital como sócio diretor de criação da Fluor e mais recentemente da the goodfellas, agência e produtora digital da qual é sócio-fundador.

Fez parte do desenvolvimento da ferramenta Adobe Digital Publishing Suite, tornando-se desde 2010 um dos pioneiros em criação e produção de revistas, livros e anúncios para iPad e outros tablets.

Possui prêmios em diversos festivais nacionais e internacionais de propaganda. E em sua carreira já atendeu clientes tais como: Fiat, Honda, Mercedes-Benz, P&G, Kellogg's, Sony, Nestlé, Johnnie Walker, Itaú, Bradesco e Vivo.


O Fotógrafo

Villy Ribeiro, brasileiro, nascido em 1974 em São Paulo, teve a faculdade de publicidade interrompida pelo trabalho, aos vinte anos deu início à carreira de produtor no mercado de cinema publicitário, onde trabalhou como diretor de produção ao lado de diretores renomados do meio.

Fotógrafo por parte de pai e formado pela vida, Villy não estudou em grandes escolas, porém conviveu com grandes pessoas, entre elas, grandes fotógrafos. Após 17 anos como diretor de produção cinematográfica mudou o foco e abraçou de vez a paixão pelo olhar através das lentes. Fotógrafo há nove anos, olhar atento e coração batendo.